domingo, 19 de fevereiro de 2017

Agosto

Rubem Fonseca

Ficção ou realidade? Realidade ou ficção? No romance de Rubem Fonseca esses dois gêneros se misturam, ou melhor, como disse Fernando Sabino numa de suas obras: "lado a lado como os trilhos da linha do trem sem nunca se encontrarem".

A história de 26 capítulos conta sobre os primeiros 26 dias do mês de agosto de 1954 na, então capital do país, cidade do Rio de Janeiro, onde acontece, a princípio, dois crimes, um fictício, a morte de um grande empresário, Paulo Gomes Aguiar, envolvido com muitas falcatruas, e outro verdadeiro, a morte do major da aeronáutica que, na noite do dia 5, acompanhava Carlos Lacerda, o maior adversário político do presidente Getúlio Vargas.

Na realidade o alvo do assassino era Lacerda, mas quem levou a pior foi o Major Vaz. O delegado Alberto Matos, encarregado do primeiro crime, acredita que esse tem ligação com o segundo e tenta desvendar o mistério. Ele é um profissional, como diríamos? Um profissional fora da curva. Às voltas com uma úlcera, passa o livro todo mastigando/chupando anti-ácido e bebendo leite para refrescar suas terríveis dores, é apaixonado por ópera e, principalmente, é um cara incorruptível.

Enquanto seus pares estão todos comendo nas mãos dos bicheiros da época, ele não se deixa intimidar e até dá o pé na bunda de um tal de Ilídio, bicheiro em ascensão e, por conta disso, acabou arrumando pra cabeça.

Pra cabeça mesmo ele já tinha arrumado, pois namorava Salete que era amante de um deputado, Luiz Magalhães, mas eis que surge na parada sua ex-namorada, Alice, que é casada com Lomagno que, por sua vez, é amante de Luciana Gomes Aguiar, viúva do empresário assassinado. Que rolo!

Paralelamente corre o calvário de Getúlio que se sente cada vez mais pressionado por seus opositores acusando-o das mais diversas atrocidades ocorridas no país, inclusive de ter sido mandante do atentado ao jornalista Carlos Lacerda e que culminou na morte do major da aeronáutica. Tudo isso levou-o ao suicídio naquele fatídico 24 de agosto.

A narrativa apresenta muitos outros personagens fictícios ou não que nos prendem do começo ao fim da história fazendo-nos viajar por uma época fascinante, os anos 50. Uma Rio de Janeiro cheia de peculiaridades, lugares fictícios ou não, nunca sabemos, modelos de carros que fizeram história, enfim, incrível romance policial ou perfeito romance histórico, que nos faz voltar aos anos dourados e depararmo-nos com uma podridão que, se comparada com a de hoje, não passa de um "peidinho de véio".

"Deitado na cama, com os olhos abertos sem ver, Vargas imaginou como sua morte seria recebida pelos seus inimigos... Faria o que tinha que ser feito. Desafronta e redenção. Uma sensação eufórica de orgulho e dignidade tomou conta dele. Sim, sua filha agora o perdoaria.
Apanhou o revólver na gaveta da cômoda e deitou-se na cama. Encostou o cano do revólver no lado esquerdo do peito e apertou o gatilho." Rubem Fonseca.

Abraços e até a próxima,
Lois


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Memórias de um Sargento de Melícias

Manuel Antônio de Almeida


Esta obra foi publicada entre 1852 e 1853 como folhetins semanais e assinada por "Um Brasileiro", pseudônimo do autor e, no ano seguinte foi publicada em livro.

É considerada uma obra do romantismo, mas alguns especialistas, por não verem nela a maioria das características dessa escola literária, acreditam que se aproxime mais do realismo.

O fato é que o livro, independente de classificações, é uma história de muito humor, personagens engraçados com nomes engraçados vivendo situações pra lá de engraçadas.

Leonardo, nosso herói, que de herói não tem nada (seria, então, um anti-herói), filho de Leonardo Pataca e Maria da hortaliça (olha aí os nomes engraçados), gostavam de dizer as más línguas, nasceu de uma pisadela e um beliscão. Sua mãe, depois de muito trair seu pai, resolveu abandoná-los de vez voltando para Portugal com certo capitão.

Logo em seguida, o pai também foi embora deixando o menino aos cuidados do padrinho, o barbeiro da cidade. O compadre de Leonardo Pataca resolve, então, assumir a responsabilidade e cuidar do afilhado como se fosse seu próprio filho.

Porém, sem muita prática para tal situação, acaba paparicando demais o garoto, transformando-o num verdadeiro capetinha.

O moleque apronta muito, mas também apanha muito na escola (o professor tinha uma palmatória). Apronta na igreja onde foi ser coroinha e desmascara o padre que tinha caso com uma cigana, briga muito com uma vizinha que vivia dizendo para o compadre que o afilhado não teria um futuro promissor.

Mais tarde, depois da morte do padrinho, voltou a morar com o pai, mas isso não dura muito e foi expulso de casa. Na rua conhece uns amigos que o convidam para morar com eles e lá conhece Vidinha e se apaixona perdidamente e ele esquece Luisinha (seu primeiro amor). Mas, a história vai dar muitas e muitas voltas e vão ainda acontecer muitos fatos engraçados.

"Ora, como todas essas histórias contadas de parte a parte eram cheias de episódios, já sentimentais, já tocantes, já alegres, aconteceu que entre muita gargalhada correram também algumas lágrimas durante a conversação. Não há nada que mais sirva para fazer nascer e firmar a amizade, e mesmo a intimidade, do que seja o riso e as lágrimas: aqueles que se riram, e principalmente aqueles que uma vez choraram juntos, têm muita facilidade em fazerem-se amigos."

Bons são estes livros que nos dão lições e nos ensinam. Infelizmente nem sempre é assim. Existem livros que não têm muito a oferecer, mas, esse eu posso garantir, além de engraçadíssimo tem muita coisa pra dizer.

Um abraço,
Lois






terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Cinzas do Norte


Milton Hatoum


Um tema recorrente nos livros é conflito familiar. Um pai que aporrinha o filho para que ele se interesse pelos negócios da família e, no futuro, substitua-o à frente da empresa é uma história mais que batida.
Porém, neste romance de Milton Hatoum ele faz isso com maestria. Fora dos grandes centros, a história é ambientada em Manaus e o autor, arquiteto de formação, usa e abusa de seu conhecimento para descrever prédios, praças, ruas e lugares com riqueza de detalhes.

Lavo é o narrador-personagem que, depois da morte da mãe, é criado pelos tios, irmãos dela, Ramira e Ranulfo, este metido a fanfarrão, vive na noite às voltas com bebidas e mulheres, aquela costureira que se mata de trabalhar para botar comida na mesa e pagar os estudos do sobrinho.

A família conflituosa em questão não é essa e sim a do amigo de Lavo, Mundo, um jovem apaixonado por desenho e artes em geral. O pai, Jano, é um grande empresário exportador que vive rodeado de amigos militares, lembrando que a história é contada, na maior parte, entre as décadas de 60 e 80, ou seja, em plena ditadura militar.

Jano, que assumiu as empresas do pai, quer que Mundo também assuma os negócios da família, mas, o menino só quer saber de pintar o sete e envolve-se com Arana, um artista regional e que, aos olhos de Jano e o tio de Lavo, não passa de um enganador.

Por conta desse total desinteresse do filho, Jano protagoniza brigas e mais brigas com Alícia, sua esposa que apoia o filho e o defende com unhas e dentes. Ela teve um caso com Ranulfo e uma ligação muito forte entre eles faz com que ele trate Mundo  como filho, embora, tendo para oferecer somente carinho e o apoio que o pai não dá em hipótese alguma.

Enquanto Mundo sonha em um dia ir embora de Manaus e conhecer as grandes cidades e desfrutar da arte e da cultura de todas elas, Lavo quer ser advogado e ficar por ali mesmo junto às suas raízes.

De certo modo, o autor conta uma história muito triste, com situações realmente pesadas. A gente se pergunta se pode existir relacionamentos assim. Mais uma obra que nos faz refletir sobre nossos próprios relacionamentos, principalmente aqueles onde não existem respeito e aceitação pelas decisões alheias.

Livro muito tocante e com um final surpreendente, possível, mas surpreendente.

Bom, então pra quem gosta de uma história triste e com situações muito comoventes, taí uma ótima dica: Cinzas do Norte de Milton Hatoum.

Abraços,
Lois

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Ensaio sobre a lucidez

José Saramago



Em tempos de total desilusão com a política nacional, esta obra de Saramago vem de encontro à uma enorme vontade de grande maioria da população brasileira.

De forma extraordinariamente espontânea e natural os leitores de uma cidade fictícia - mas poderia ser verdadeira - resolvem pregar uma grande peça nos seus candidatos, e então, gerar um enorme problema nacional que leva a cidade a ser isolada do resto do país como uma forma de castigo.
Começa aí uma esmiuçada busca pelo motivo ou uma eventual explicação pelo ocorrido na tal cidade. Reuniões intermináveis, espionagem e desconfianças. Todo e qualquer acontecimento naquele lugar era alvo dos espiões que levavam tudo aos ministros que por sua vez tentavam entender a motivação e a finalidade da atitude anti-democrática dos moradores daquele município que deixou boquiaberto o restante do país.

Saramago, com a sua forma peculiar, escreve esta obra com poucos parágrafos e utilizando somente vírgulas e pontos finais, deixando o leitor, às vezes, sem fôlego, fazendo uma leitura desenfreada. Nada de travessões para as falas das personagens, nem pontos de exclamação para as interjeições, mas nem por isso, deixamos de perceber a ironia, o sarcasmo, o exagero com que o autor trata o tema.

Essa obra nos leva a refletir sobre o nosso papel na sociedade, o que podemos efetivamente fazer como cidadãos diante de tantas mazelas políticas. Ficar esperando que nossos eleitos cuidem de tudo por nós como se tivéssemos passado a eles uma procuração e delegássemos-lhes toda responsabilidade do país e, pior ainda, votarmos e colocarmos o resto nas mãos de Deus, movidos pela fé mas também pela preguiça, pela covardia, pela indiferença, etc, etc, etc...

Não, não podemos nos abster, até mesmo porque "o diabo tem tão bom ouvido que não precisa que digam as coisas em voz alta, Valha-nos então deus, Não vale a pena, esse é surdo de nascença." - José Saramago.

Abraços,
Lois

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Fazes-me Falta

Inês Pedrosa

Muitos de nós já ouvimos alguém lamentar, após a morte de um ente querido que poderia ter tido mais um pouco de tempo com o finado ou finada, que poderia ter conversado mais, explicado algum mal entendido, pedido perdão , contado mais uma piada ou mais um segredo.

Esse texto da portuguesa Inês Pedrosa é mais ou menos isso, a esposa falecida e o viúvo mantêm quase um diálogo. Alternadamente, capítulo a capítulo, ambos vão contando episódios de suas vidas e tudo de uma forma muito poética.

Contam como se conheceram: ele, bem mais velho que ela, em certa altura da vida, já bem maduro e solitário, resolve ter aulas de história para passar o tempo e acaba apaixonando-se por aquela professorinha cheia de entusiasmo.

Todos os acontecimentos são narrados, ora por ele, ora por ela, num tom melancólico, nostálgico, às vezes com tristeza, outras vezes com certo arrependimento de como poderia ou deveria ter sido.

Trechos como: "Há uma energia ética nos funerais. Um desespero pelo bem que lança pó de estrelas nos olhos e apaga os pequenos ressentimentos quotidianos" mostra o quão poética é essa obra, com muitas metáforas: "A verdade. Outro valor magno circulando como um sumptuoso iate vazio".

Uma obra filosófica onde somos convidados a refletir. As personagens vão se mostrando em confissões solitárias, mas como se estivessem num diálogo profundo e verdadeiro no qual se mostram como realmente foram durante o relacionamento: apesar das traições e das mentiras, uma amizade profunda, uma cumplicidade sincera e um amor sem limites.

A reflexão diante de um texto tão lindo é inevitável. Como reagir diante de um mentira? Por que perdoar? Vale a pena o amor desmedido? Como portar-se diante da morte?

Questões que nos afligem cotidianamente, mas pelo bem ou pelo mal, temos que encontrar forças para enfrentá-las dia após dia.

"Deus nasce da ignorância própria dos sofrimentos prematuros." Inês Pedrosa.

Realmente, essa é uma obra linda. Você não acha? Comente aí, dê sua opinião. Vai ser uma honra ter você por aqui.

Abraços,
Lois

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

A Metamorfose

Franz Kafka


Conto de Kafka que narra a história de um homem comum morando com pai, mãe e irmã, trabalha honestamente, classe média e que acorda num determinado dia e tem dificuldades para levantar-se da cama por conta de uma transformação bizarra em seu próprio corpo.

A princípio tenta permanecer em seu quarto acreditando que irá voltar ao normal dentro de alguns minutos, porém, passam-se dez, vinte, trinta, sessenta minutos e nada. A mãe chama-o à porta, a irmã chama, o pai bronqueia, mas ele resiste, esperando voltar ao normal.

Dada a demora, até o gerente da loja onde ele trabalha vem procurá-lo, mas nada se altera, até que Gregor (esse é o nome do protagonista) resolve abrir a porta, sair do quarto e acabar com o mistério, foi então, que todos deparam-se com a horrível criatura em que ele transformara-se. 

O gerente foge amedrontado, o pai cerra os punhos pronto para a briga, a mãe e a irmã não acreditam no que veem e se desesperam. Daí em diante o que vai se ver é o convívio de uma família com um "doente", doença grave e incurável.

É claro que Kafka não trata dessa maneira o assunto, mas é sobre isso que nos faz refletir. No começo a esperança de toda família, o cuidado da irmã em atender as necessidades de Gregor, a agonia da mãe que vê o tempo passar e nada mudar. 

Só que, apesar dos acontecimentos, as pessoas precisam tocar suas vidas. Gregor era quem sustentava toda a família, por isso. as contas começam a acumular-se, as economias vão esgotando-se e todos têm que "dar seus pulos".

O moribundo vai, cada vez mais, sendo deixado de lado, ignorado, esquecido e, por fim, sua presença passa a incomodar. Isso, então, leva-nos a pensar quão pequena é nossa paciência diante de uma situação dessa dentro de nossas vidas, sugando-nos as energias,ocupando nosso tempo. Há amor que resista?

Dê sua opinião, comente o livro se você já leu, se não leu, leia urgente. Foi meu primeiro Kafka, mas já estou providenciando outros e em breve comento por aqui.

Um abraço,
Lois


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

O Vermelho e o Negro

Stendhal


Julien Sorel é um jovem de origem pobre, filho do dono de uma serraria por quem é muito maltratado por não ser forte como os irmãos mais velhos e ser afeiçoado aos livros.
Por conta de sua inteligência e a facilidade de decorar trechos da bíblia e frases em latim, é indicado pelo cura da pequena cidade de Verrières ao prefeito para cuidar dos três pequenos filhos.
Na casa do prefeito, o senhor de Rênal, conhece a esposa dele por quem se apaixona e mantem um relacionamento às escondidas.
Descoberto, ele sai da casa da amante e começa outras aventuras. Ambicioso e completamente desgostoso com sua cidade natal acaba chegando a Paris onde conhece o Marquês de La Mole e sua linda filha Mathilde com quem, depois de rmuitas discussões e desentendimentos, acaba se envolvendo.
O Vermelho e o Negro é um romance longo e, por vezes, tedioso, mas, quando visto com um olhar um pouco mais crítico, podemos encontrar nas personagens, traços psicologicamente curiosos e muito interessantes. É caso do próprio protagonista que apresenta uma personalidade muito confusa para os leitores, ora com uma visão religiosa da vida, afim de praticar o bem, ora com intenções maldosas e capaz de querer matar pela honra ou coisas do gênero.
De uma forma geral, esse romance escrito em 1830 por Stendhal, um escritor também muito confuso, haja visto os mais de 170 pseudônimos com os quais apresentou-se no decorrer de sua vida, retrata um época muito distante da nossa, com hábitos muito diferentes, porém, apresentando algumas situações bem atuais.
O ponto curioso da obra é quando o autor, através do narrador resolve dar uma pausa na história e justificar-se para os leitores com a seguinte frase:
"Um romance é um espelho que é levado por uma grande estrada. Umas vezes ele reflete para os nossos olhos o azul dos céus, e outras a lama da estrada". STENDHAL

Uma abraço,
Lois


quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Admirável Mundo Novo

Aldous Huxley


Salve, salve galera. Tão procurando sombra e água fresca? Tão achando que a vida é só ler um livrinho aqui, assistir um filminho ali, só paz e amor? Nã nani nanão!!!

Dá só uma olhada nessa obra do Aldous Huxley que conta a história de um hipotético mundo onde a galera só queria moleza.

Em uma brilhante projeção do futuro, o autor, lá em meados de 1931, conta um história olhando para adiante e imaginando, mais ou menos, os dias hodiernos como sendo um mundo onde as pessoas nascem, crescem e morrem de um maneira pré-determinada, controlada por uma casta de homens "superiores" que, com recursos muito avançados (ou não) determinam como devem ser e agir todos os habitantes do planeta.

Desde a concepção, que não é do modo tradicional, o ser humano desse admirável mundo é induzido a ser alienado, preconceituoso, indiferente, solitário, tudo em nome de uma suposta felicidade que não deve ser, de modo algum, interrompida e se isso, por acaso, vier a acontecer, toma-se um soma que é uma droga para deixar o cara relaxadão, dormir tranquilo e ter sonhos maravilhosos.

É lógico que esse tal de Huxley só podia estar muito louco para fazer uma previsão tão absurda dessas...

Só que no meio disso tudo um casal em uma viagem turística, visita uma espécie de reserva selvagem e, depois de alguns dias de muitas aventuras e descobertas por lá acaba trazendo a tiracolo para a civilização um morador local e, daí em diante, o admirável mundo novo nunca mais seria o mesmo.

A obra nos leva a refletir sobre a frenética busca que o homem tem atrás de uma utópica felicidade e de viver num mundo livre de dificuldades e de problemas, mesmo que, para isso, tenhamos que abrir mão de coisas como amor, amizade, família, enfim, situações que nos proporcionam altos e baixos na vida e que algumas pessoas covardes e acomodadas acham desnecessárias e acreditam que tudo seria melhor sem tais oscilações.

Então cai dentro, sai deste marasmo e aproveita mais essa sugestão de leitura: Admirável Mundo Novo - Aldous Huxley.

Abraços,
Lois

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Discurso do Método

René Descartes


Salve, salve galera! Vou aproveitar a deixa do post anterior pra falar de um livro que li outro dia do tal René Descartes, filósofo francês, mas, que nessa ocasião, era um jovem soldado e durante seu período de descanso das batalhas que participava em 1619, acreditou ter descoberto o sentido fundamental de sua própria existência na Terra, a missão da sua vida: buscar uma ciência que unificasse todas as ciências, um método que unisse todos os conhecimentos humanos a partir de bases seguras.


O nome do livro é Discurso do Método no qual, segundo ele, um edifício, uma cidade ou uma legislação teriam melhor resultado se fossem atividade de um mesmo homem.

Embora colocando-se com muita humildade, acredita ter encontrado um método que vai ajudá-lo, gradativamente, galgar os degraus do conhecimento. Sempre desconfiado e duvidando de tudo, principalmente dos elogios dos amigos, procura ficar alheio ao senso comum e estuda de tudo (esse é nosso herói, que inveja!) procurando adquirir mais e mais conhecimento e experiência.

Já no início deixa bem claro que seu intuito com essa obra não é ensinar a ninguém o caminho das pedras, pois quem tem tal propósito deve considerar-se mais hábil que os outros e, como eu já disse, Descartes era a humildade em pessoa e não acreditava ser melhor do que ninguém. Apenas gostaria de deixar ali anotações, histórias que, se fosse da vontade de alguém, poderia  servir para uns sem ser danoso para outros.

Para tal feito considerou o que chamou de moral provisória: ter respeito e obedecer as leis de seu país e também à religião na qual foi educado desde criança, ou seja, não ficar dando voltas quando estiver em dúvida e para não perder tempo seguiria sempre em frente mesmo que demorasse para concluir algo. Vencer a si mesmo antes de vencer o mundo era outra máxima, fugir dos desejos exteriores, saber que nada nos pertence a não ser nossos próprios pensamentos e, por fim, procurou trabalhar naquilo que realmente gostava o que o deixou de fato muito feliz e disposto a enfrentar qualquer obstáculo que, eventualmente, encontrasse pelo caminho.

Como eu já havia comentado, não tenho a pretensão, com este blog, de ser especialista em literatura e, muito menos em filosofia, somente expor minha relação com os livros, fazer comentários, ler comentários, trocar ideias e informações para ganhar conhecimento e experiência (como acabamos de aprender com nosso amigo René). Você já leu Descartes ou qualquer outro filósofo? Qual o seu preferido? Achou a minha resenha muito superficial? 

Comente aí, dê sua opinião. Vamos falar sobre livros, filósofos, filmes, receitas de bolo, bula de remédios... "Tudo vale a pena se a alma não é pequena", já dizia certo Pessoa.

Um abraço,
Lois



terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Primeiros Passos

COMEÇANDO OS TRABALHOS


Olá galera,

Vamos começar os trabalhos!
Este nosso blog tem o intuito de falar de literatura sem a pretensão de ser especializado em literatura. 
Vamos falar de nossas experiências, e quando digo nossas é porque estou convidando todos vocês a compartilharem suas experiências também aqui comigo. 
Quero fazer resenhas, sugerir sites e outros blogs, mostrar meus trabalhos e muito mais.


Pra começar quero dizer que o hábito da leitura tem que se fazer presente em nós, penso que lendo estaremos em constante desenvolvimento melhorando nossa capacidade de discernimento diante dos acontecimentos de nossa vida, sejam tais acontecimentos bons ou maus.
Buscarmos nos livros parte de nosso aprendizado é fundamental, pois, ali estão relatadas experiências já vividas, presenciadas ou simplesmente inventadas, mas, experiências nas quais podemos nos basear para tomarmos nossas próximas decisões, sejam elas familiares, profissionais, escolares, amorosas, etc.


Porém, quero lembrar o que escreveu René Descartes, filósofo francês: "Pois quase a mesma coisa que conversar com os homens de outros séculos é viajar. Contudo, quando gastamos excessivo tempo em viajar, acabamos tornando-nos estrangeiros em nossa própria terra."
Portanto, leia muito, muitos livros, revistas, jornais, gibis, receitas de bolo, bulas de remédios, tudo isso vai te enriquecer muito, mas, não abra mão de um bom bate-papo, de amigos reais e não virtuais, passeios com a família, futebol com os amigos, cinema com o namorado, isso também te fará muito melhor.

Abraços,
Lois