segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Memórias de um Sargento de Melícias

Manuel Antônio de Almeida


Esta obra foi publicada entre 1852 e 1853 como folhetins semanais e assinada por "Um Brasileiro", pseudônimo do autor e, no ano seguinte foi publicada em livro.

É considerada uma obra do romantismo, mas alguns especialistas, por não verem nela a maioria das características dessa escola literária, acreditam que se aproxime mais do realismo.

O fato é que o livro, independente de classificações, é uma história de muito humor, personagens engraçados com nomes engraçados vivendo situações pra lá de engraçadas.

Leonardo, nosso herói, que de herói não tem nada (seria, então, um anti-herói), filho de Leonardo Pataca e Maria da hortaliça (olha aí os nomes engraçados), gostavam de dizer as más línguas, nasceu de uma pisadela e um beliscão. Sua mãe, depois de muito trair seu pai, resolveu abandoná-los de vez voltando para Portugal com certo capitão.

Logo em seguida, o pai também foi embora deixando o menino aos cuidados do padrinho, o barbeiro da cidade. O compadre de Leonardo Pataca resolve, então, assumir a responsabilidade e cuidar do afilhado como se fosse seu próprio filho.

Porém, sem muita prática para tal situação, acaba paparicando demais o garoto, transformando-o num verdadeiro capetinha.

O moleque apronta muito, mas também apanha muito na escola (o professor tinha uma palmatória). Apronta na igreja onde foi ser coroinha e desmascara o padre que tinha caso com uma cigana, briga muito com uma vizinha que vivia dizendo para o compadre que o afilhado não teria um futuro promissor.

Mais tarde, depois da morte do padrinho, voltou a morar com o pai, mas isso não dura muito e foi expulso de casa. Na rua conhece uns amigos que o convidam para morar com eles e lá conhece Vidinha e se apaixona perdidamente e ele esquece Luisinha (seu primeiro amor). Mas, a história vai dar muitas e muitas voltas e vão ainda acontecer muitos fatos engraçados.

"Ora, como todas essas histórias contadas de parte a parte eram cheias de episódios, já sentimentais, já tocantes, já alegres, aconteceu que entre muita gargalhada correram também algumas lágrimas durante a conversação. Não há nada que mais sirva para fazer nascer e firmar a amizade, e mesmo a intimidade, do que seja o riso e as lágrimas: aqueles que se riram, e principalmente aqueles que uma vez choraram juntos, têm muita facilidade em fazerem-se amigos."

Bons são estes livros que nos dão lições e nos ensinam. Infelizmente nem sempre é assim. Existem livros que não têm muito a oferecer, mas, esse eu posso garantir, além de engraçadíssimo tem muita coisa pra dizer.

Um abraço,
Lois






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