Retrato do artista quando jovem é uma obra pra lá de difícil, quase indecifrável. Narra a vida de Stephen Dedalus, que dizem ser o autorretrato de Joyce em toda sua profundidade e sua introspecção.
A história passa pela infância de Dedalus que, a princípio, sofre com os colegas de escola que se incomodam com a inteligência dele e suas opções literárias, chegando ao ponto de jogarem-no dentro de uma fossa. Mas, tempos depois, ele ganha a admiração de todos por entregar um dos professores para o diretor do colégio por usar a palmatória de forma abusiva.
Daí em diante tudo parece a narrativa de um sonho. Stephen Dedalus aparece perambulando pelas ruas de um bairro boêmio a procura de satisfazer seus anseios sexuais, daqui a pouco é um jovem perturbado e profundamente determinado a dar fim à sua promiscuidade através de confissões e mais confissões. em busca de uma vida mais "limpa".
Até que num certo dia ouve o sermão de um padre que descreveu o inferno extraordinariamente horrível e um deus nada misericordioso. Então, entra em pânico, fica totalmente fragilizado, tem crises de culpa, passa a se culpar por todo e qualquer erro ou pensamento pecaminoso.
Sua dedicação e sua postura exemplar levam-no a receber um convite ao sacerdócio e, embora sentindo-se tentado por todo o status que a vida eclesiástica lhe traria, não abre mão de sua liberdade.
Para tanto, trava duelos intelectuais com vários colegas da universidade sobre os mais variados temas: patriotismo, amor, amizade e, principalmente religião. Nessas discussões percebemos claramente o alter ego do autor dialogando consigo mesmo e tentando resolver seus conflitos internos.
Se, então, isso é verdade, os demais personagens, ou pelo menos a maioria deles, é o autor dando vida a seus próprios pensamentos , seus conflitos, seus julgamentos e medos. Uma leitura realmente desafiadora, mas que, ao final, sentimo-nos recompensados.
E por entre tanta introspecção ele divaga sobre "um piolho que subiu-lhe pela nuca e, colocando o polegar e o indicador com um gesto ágil por sob a gola solta, ele o pegou. Rolou aquele corpo diminuto, suave porém mesmo assim duro como um grão de arroz, entre o polegar e o dedo por um instante antes de largá-lo e se indagou se o animal haveria de viver ou morrer",
Lois
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